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  Baladas e Baladeiros
18/05/2010

Quase todos os dias aparecem notícias nos jornais e em programas esportivos sobre jogadores de futebol que se envolveram com bebida, mulheres e outros prazeres da noite. São os chamados "baladeiros", evitados pelo técnico da Seleção Brasileira na recente convocação para a Copa do Mundo na África do Sul.

De uma forma geral, o assunto é tratado de forma preconceituosa e moralista pelos meios de comunicação, torcedores e cronistas esportivos. Acreditam que esses jovens, entre dezoito e trinta anos de idade, por serem atletas e pessoas públicas, deveriam se abster da vida salutar e natural que todos os outros garotos usufruem: namoro, festas e alegria. Reclusos em concentrações, submetidos a um código de conduta e procedimento próprio de organizações religiosas ou militares, esses meninos têm amputados os anos de ouro de suas vidas e, assim que libertos se sentem, acabam, muitas vezes, exorbitando.

A nossa Ferroviária também não fica de fora dessa problemática. Desde a fundação do Clube, histórias de jogadores mulherengos, indisciplinados e "pinguços" são contadas e lembradas na cidade. Conheço várias delas, confirmadas pelos envolvidos, mas não vou nomear seus personagens para preservá-los e preservar-me de problemas. Os responsáveis pela disciplina na antiga pensão do bairro de São Geraldo foram testemunhas de histórias fantásticas, envolvendo atletas, treinadores e dirigentes. A frequência de "boleiros" ao Jardim Eliana, atrás do Cristo Redentor araraquarense, ou à antiga zona do meretrício (Rua Aurora) nas imediações do Cemitério São Bento, sempre foi motivo de gozações e histórias picantes.

O meu grande amigo Aldo Comito me contou um fato que ficou famoso pelos anos de 1954, 55 ou 56. Um destacado atacante afeano conheceu, perto da antiga estação rodoviária, uma loira escultural. Conversa vai, conversa vem, entraram em um Hotel da Avenida São Paulo. Minutos depois instala-se o pânico, pois a "loira" na verdade era um "loiro". Vexame total e o craque precisou deixar a cidade, tal o incômodo das gozações a que ficou exposto.

Coisa de louco!


O Colunista
Luís Marcelo Inaco Cirino
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