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  Dorival Júnior!

Se atualmente o araraquarense Dorival Júnior, técnico do Santos, surpreende o Brasil a frente do time que resgatou o futebol arte e não possui limites no bom trato com a bola, a evidência e exposição da mídia não devem deslumbrar o experiente treinador, já que ainda garoto, o ex-volante da Ferroviária, fez parte de um grupo de jogadores pratas da casa, que encantaram o país defendendo a Ferrinha na Taça de Ouro de 1983.

Notoriamente não podemos comparar o alvinegro de Neymar, Robinho, Paulo Henrique e André, com a AFE de Abelha, Sidnei Alástico, Claudinho, Júnior, Douglas Onça e Cia, contudo os meninos afeanos, sob o comando de Sebastião Lapola, trouxeram os holofotes para a Morada do Sol, em função do futebol coletivo e de resultados expressivos, e que levou o time até a fase final do certame.

Antes mesmo de discernir acerca do futebol, o menino Júnior era visto no estádio, não apenas para vibrar com os desarmes e a vibrante marcação do tio, mas sim nas fotos da Ferroviária perfilada na década de 60, quando foi mascote do time grená. Vidrado e atento ao futebol do volante Dudu, mesmo de brincadeira ele já se acostumava com a rotina que varia parte da sua vida.

No começo de sua jornada ele esteve envolto num paradoxo, que era ser sobrinho de um dos melhores jogadores da história do Palmeiras, e ter semelhanças demasiadas com o futebol do tio. "É fato que ele tentou atuar como meia-esquerda, até porque tinha habilidade para os dribles, porém aos poucos ficou evidenciado que suas características eram mesmo a de um volante com maior facilidade para sair para o jogo", resume Antônio Jorge Moreira, ex-cronista esportivo da Gazeta Esportiva e que acompanhava diariamente o cotidiano do clube grená.

Porém, antes de aportar na Fonte Luminosa, equipe que iria profissionalizar o volante, Júnior já havia recebido os conselhos e ensinamentos de ninguém mais ninguém menos do que Armando Clemente (O Pescador de Ilusões), quando atuou no dente-de-leite do Atlas. Ele ainda passaria dois anos sendo observado nos juvenis do Marília (1976-77), para aí sim, alcançar um lugar ao sol em Araraquara no ano de 1978.

Seu comportamento nos remete a disciplina de Bazani que tocava a bola e a faculdade ao mesmo tempo. Aliás, foi Rabi quem primeiro atentou para a boa marcação, ótimo combate e reflexo do garoto. "Sua estreia pela Ferroviária aconteceu na Fonte Luminosa no empate por 1 a 1 contra o Santos. Na partida em questão, foi detentor de grande personalidade, e deu mostras da disciplina tática que iria acompanhá-lo durante toda a carreira. Não se intimidou e aos poucos foi se afirmando no time afeano", relembra Moreira.

O cronista enfatiza sua participação no plantel que ganhou notoriedade na disputa da Taça de Ouro de 1983. "Naquela oportunidade, ele era um jovem de 20 anos, que junto com outros garotos, dentre eles Douglas Onça, e que se afirmou como titular da equipe afeana, até hoje vista com nostalgia pela torcida grená. Ele tinha muita disciplina tática e cumpria a risca as resenhas do Lapola, se desvencilhando aos poucos do rótulo de "sobrinho do Dudu", enfatiza o jornalista.

Prova de que o garoto tinha os pés na bola e no chão, é que mesmo perante o sonho de ser jogador de futebol e a badalação pela campanha no nacional, lá estava Júnior cursando todas as noites o curso de Educação Física na vizinha São Carlos. Ciente de que a trajetória no futebol é norteada por dúvidas, incertezas, Júnior não pensou duas vezes e meteu a cabeça nas bolas, mas também nos estudos. A primorosa jornada no Nacional ocorria simultânea a dedicação aos livros. Ou seja, o atual momento de Dorival Júnior no Santos não é uma obra do acaso, uma vez que antes mesmo de ter o futebol como ofício, ele já tinha os olhos voltados para o futuro.

Indagado sobre as principais virtudes do volante em sua passagem pela Ferrinha, o ex- cronista da Gazeta Esportiva é direto. "Na AFE ele se profissionalizou e passou a aprimorar suas habilidades, trabalhando também suas deficiências. Sem dúvida nenhuma, o combate, a marcação próxima ao oponente, além do seu reflexo era o cartão de visita do jovem atleta", enfatiza.

Moreira ressalta ainda que na Ferrinha, Júnior tinha como diferencial o drible no seu futebol, o que melhorava sua saída para o jogo. "Além disso, tinha espírito de liderança, chutava bem com o pé direito e cabeceava relativamente bem. Já a velocidade e o chute com o pé esquerdo durante sua estada na Fonte, foram fundamentos que ele procurou aperfeiçoar", conta Moreira.

Envergando outras jaquetas
O volante figurou posteriormente no plantel do São José, na feita sob o comando de Emerson Leão, transferindo-se posteriormente para o Coritiba, para aí sim, a exemplo do tio, chegar ao Palmeiras em 1989 que tinha o mesmo treinador que o orientou no Vale da Paraíba. Com a jaqueta alviverde, entre os anos de 1989 e 1992, Júnior disputou 157 partidas (74 vitórias, 52 empates e 31 derrotas) e marcou quatro gols, de acordo com o "Almanaque do Palmeiras", de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti. Defendeu também o Guarani, Grêmio, Figueirense, Sport Recife, o Botafogo de Ribeirão Preto, entre outras equipes.

Com a prancheta na mão!
Júnior estagiou com alguns treinadores, como Luiz Carlos Ferreira e Muricy Ramalho e sua primeira empreitada como técnico foi à frente da Ferroviária em 2003; na feita trouxe o ex-goleiro afeano Abelha para fazer parte da comissão técnica. Seu trabalho passou a ser respeitado e posteriormente surgiram outros trabalhos, como no Figueirense, Fortaleza, Criciúma, Juventude (RS, Sport), Avaí, São Caetano (foi vice-campeão paulista em 2007.

Atingiu o patamar máximo no futebol nacional ao ser convidado para assumir o Cruzeiro, onde angariou um das vagas para a disputa da Libertadores em 2008. Chegou ao Santos, e a seqüência da história não precisa ser contada aos leitores, já que ela é pauta nas mesas-redondas, no trabalho, nas ruas e nos bares da vida. Dorival Silvestre Júnior, às vésperas de completar 48 anos, já tem seu nome na lista dos grandes treinadores do Brasil. Quem sabe num futuro não muito distante, ainda que num desejo pretensioso, ele possa novamente comandar o onze grená?

Por Alessandro Bocchi



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