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4 a 0 no Napoli!
O duelo é tido como uma das mais boas atuações do onze grená
Ano: 1968
Autor: Alessandro Bocchi
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4 a 0 no Napoli!

Nesse período de saudosismo e expectativa de todos os araraquarenses em torno do Estádio da Fonte Luminosa que vai sendo demolido para dar lugar a uma Arena Multiuso, não a nada melhor do que recordar os grandes embates que a praça esportiva abrigou ao longo dos tempos. No Paulista de 1967 a Locomotiva havia conquistado o título de melhor equipe do interior, premiação instituída pelo jornal "Folha de São Paulo", que a partir de 65 passou a contemplar a melhor equipe do interior bandeirante com um troféu, seguido de homenagem. 

O status e os holofotes estavam novamente voltados para a cidade de Araraquara, após a queda fatídica em 1965 e a recuperação iminente na temporada seguinte, onde o quadro afeano regressou com muita pompa a primeira divisão. 

Em 1968 a história não foi diferente, já que no final do Estadual, lá estava a Ferrinha, firme e forte, figurando novamente numa posição de prestigio, ficando atrás apenas do Santos e Corinthians. Perante o considerável currículo no certame de 68, a diretoria grená, comandada pelo seu presidente, Aldo Comito, a Associação Ferroviária de Esportes trouxe para desfilar na Fonte Luminosa uma das agremiações mais respeitadas da época, a A.C Napoli vice-campeão italiano (FOTO).

Nessa feita, o time em que Maradona e Careca iriam brilhar no futuro, desembarcou no Brasil em junho para disputar três duelos, um empate com o Palmeiras por 1 a 1 (1/06-domingo), mesmo placar do confronto, três dias depois frente (4/06 ) a Ponte Preta em Campinas. No dia seguinte a delegação italiana chegava na Morada do Sol, onde pernoitaria por duas noites antes do prélio inesquecível perante a Ferroviária no domingo (8/06). 

Como conta em seu livro "Fonte Luminosa", o autor Luis Marcelo Inaco Cirino, a equipe visitante ficou alojada na residência da família Morganti, sendo recepcionados pelo Sr. Boaventura Gravina, chefe do escritório do consulado italiano no município. O Jornal O Imparcial do dia 10 de junho de 68 destacava a presença em massa de torcedores provenientes de várias cidades da região presentes no Majestoso, o que culminou com uma significativa renda de 120 mil cruzeiros novos. 

O duelo
O onze afeano orientado pelo técnico Diede Lameiro foi a campo com Machado, Baiano, Fernando, Rossi e Fogueira; Bebeto (Teodoro) e Bazani, Valdir, Maritaca (Zé Luis), Téia e Pio. Vale ressaltar que se tratou do último jogo do treinador antes de ir comandar a equipe do São Paulo. Já o quadro italiano (FOTO) se apresentou com disputou com Gumman, Michele, Pegliano, Zzurlini e Girardo, Stente e Cané, Orlando, Biachi, Di Giacomo e Bortavi. No decorrer da partida foram utilizados ainda, os atletas Nardini e Montefuso. O árbitro do embate foi Oscar Scolfaro. 


Algumas páginas da história da Ferroviária jamais podem ser esquecidas. Nessa partida, a Locomotiva atropelou o Napoli por 4 a 0, numa exibição de gala dos atletas afeanos,. Ainda no primeiro tempo a Ferrinha abria o placar com um gol de Bebeto aos 30 min da etapa inicial num chute de fora da área. No segundo tempo, Maritaca, o "garoto de Casa Branca", deu lugar a Zé Luis, que acabou sendo o protagonista do triunfo jamais esquecido. Foi ele, o autor dos três gols dos afeanos, que sepultaram definitivamente as chances de recuperação do Napoli. Os tentos foram assinalados aos 10, 19 e 26 minutos do período final. 

Não houve facilitações
O jornalista Antônio Jorge Moreira, cronista da Ferroviária durante décadas, acompanhou em 1968, o duelo das tribunas da Fonte e conta que não houve facilitação por parte do time italiano. "É notório que o adversário tinha feito dois jogos anteriormente, contudo a postura deles em campo, já demonstrava o interesse em vencer a partida. Posteriormente tive a confirmação do quando estavam chateados com a goleada", conta o cronista. 

Segundo Moreira, depois da peleja, foi oferecido um banquete a delegação napolitana, no mesmo local onde hoje está situado o Hotel Fazenda Salto Grande. "Fomos até o jantar e o que vimos foi lamurias por parte dos jogadores e dirigentes do Napoli que não aceitavam ter perdido para a Ferroviária, depois de empatar com o Palmeiras e a Ponte Preta. A equipe era à base da seleção italiana e sentíamos que estavam envergonhados com uma derrota tão dilatada", enfatizou Moreira. 

Após a bela campanha realizada em 1968, a conquista do Bicampeonato do Interior, a Ferroviária sacramentava seu êxito e provava para a imprensa de todo Brasil estava de volta aos trilhos. 

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