Araraquara, SP - A reportagem do O Imparcial esteve presente no estádio da Fonte Luminosa, que passa por obras de modernização, na companhia do mais ilustre funcionário da Ferroviária, o popular Luis Malheiros, única pessoa que vivenciou de perto os 58 anos de história do clube. Pedimos para que ele nos acompanhasse até o gramado, nos contando através de sua significativa lucidez, detalhes interessantes e até desconhecidos da história do local. Antes de entrar no estádio ele apontou para as casas defronte a praça esportiva e disse que em 1950 só havia mato nas cercanias.
Aproximando-se do campo, o porteiro, que trabalhou em todas as fases da construção do estádio, apontou para o alambrado e disse que ele nunca foi trocado desde 1950. No campo, seu Luis apontou para o banco de reservas e disse que no início eles ficavam do lado oposto, tendo sido mudado na seqüência. "Era muito próxima da torcida e acabou indo para o lado das sociais, em função da segurança". Em seguida olhou para o placar de madeira e lembrou. "O placar também sempre foi aqui, desde o jogo contra o Vasco, apenas aumentou de tamanho", explicou. "Na altura da arquibancada de sócios, a estrutura era de concreto e dava a volta por todo o estádio. Daí pra cima era tudo de madeira. O pessoal da reportagem narrou o jogo aqui dentro do campo e onde é a bilheteria, teve uma turma de jornalista que lá de cima fez a partida", revelou.
Pisando no gramado da Fonte ele disse que o gramado do clube sempre foi um dos melhores do Estado. "Até pouco tempo era um dos melhores do interior. O Carlos Alberto Alimari (goleiro) adorava esse campo e sempre elogiava o gramado. Lembro-me de um dia chuvoso, que o Santos de Pelé jogou aqui contra a AFE e antes da partida, ele subiu as escadas do vestiário, olhou para o campo e vez sinal de positivo com a cabeça dizendo posteriormente que o gramado estava ótimo. Muitos jogadores desfilaram sobre esse lindo gramado", completou.
Luis Malheiros conta que no processo de inserção da grama no estádio não havia água. "Nós buscávamos água no centro, na Avenida José Bonifácio entre Ruas 4 e 5. Isso acontecia várias vezes ao dia. Construímos tudo isso em 100 dias de trabalho", enfatizou. "O acesso ao estádio se dava pelo caminho de Américo, atual Via Expressa e através das ruas onde está a Bento de Abreu", completou o funcionário, que diz amar a Ferroviária, assim como Bazani e Vail Mota.
Perguntado sobre atletas que desfilaram com elegância no gramado da Fonte, seu Luis citou jogadores como Bazani, Baiano, Carlos Alberto Alimari, Dirceu, Pio, Rodrigues e Fogueira. Apesar de estar presente praticamente em todos os jogos da Ferroviária na Fonte, seu Luis assistiu poucas partidas. Em um dos jogos que presenciou, quando o Santo venceu a AFE por 7 a 2, disse ter visto o gol, que acredita o mais bonito nos 58 anos da Fonte.
"O zagueiro Elcias bateu tiro de meta e a bola caiu próximo ao meio-de-campo, o Pelé matou a bola peito, dominou e daqui mesmo (apontando para o centro do gramado) chutou e encobriu o Rosan, que nada pode fazer", relembrou.
Aqui também tinham as fanfarras, quando as bandas marciais de Catanduva, São José do Rio Preto e São José dos Campos, começam a tocar durante a tarde e as festividades se estendiam até tarde da noite
Reformas
O investimento no estádio, municipalizado em 2006, será da ordem de R$ 12 milhões, recursos repassados pelo Governo Federal por meio do Ministério dos Esportes. O ministro Orlando Silva liberou R$ 7 milhões em outubro do ano passado e outros R$ 5 milhões no último dia 23 de abril para o futuro Complexo Esportivo de Araraquara. Segundo o secretário de Obras e Serviços Públicos, engenheiro Valter Rozatto, as obras da primeira fase devem começar em junho e as da segunda etapa no mês seguinte. A previsão é que ambas as etapas sejam concluídas até o final deste ano.
"Tudo muda nessa vida. Vamos estar aqui para acompanhar tudo o que a prefeitura vai fazer, mas sempre mantendo na memória as boas recordações desse local onde está nossa história de vida", concluiu Luis Malheiros.