Titular absoluto no coração dos araraquarenses, há 3 anos (13 de outubro de 2007) o futebolista e cidadão, Olivério Bazani Filho, deixava a vida para entrar em definitivo na história da Ferroviária. Escalado pelo comandante superior, deixou seu legado como ser humano e foi desfilar classe e sensibilidade no time alviceleste numa "Divisão pra lá de Especial".
Nascido em Mirassol em de 3 de junho de 1935, Bazani envergou a jaleco grená por 18 anos, entre 1954 e 1974, tendo defendido ainda o Corinthians por 2 anos: 1963 e 1964, além da seleção paulista, 1958 e 1959. Seus números defendendo a Ferroviária como atleta jamais serão superados: 758 jogos e 244 gols marcados. Foi brilhante também como técnico e supervisor, revelou talentos e implantou no futebol a sua filosofia de vida: trabalho sério, honesto e humildade.
Quem vivenciou o futebol nas décadas de 50 e 60 jamais irá esquecer-se do meia mais portentoso que o onze grená já possuiu. A canhota não falhava nunca, e com ela Rabi driblava, fazia lançamentos milimétricos e gols; muitos gols. Sua perna direita também não o decepcionava, garantem os contemporâneos, afirmando que com ela Bazani se virava muito bem.
O meia esteve em todas as conquistas da Ferroviária: Bicampeão da Segunda Divisão (1955-1965), Tricampeão do Interior (1967-68-69), nas três excursões internacionais (1960-63-68), Taça dos Invictos em 1971, e como técnico comandou a memorável campanha da AFE no Paulista de 1985 quando o time chegou a semifinal do Estadual.
Após a despedida oficial dos gramados em 1973, Bazani assumiu por várias vezes a orientação técnica do time grená, somando nesse particular novas conquistas para o clube, além de ter revelado inúmeros jogadores para a Ferroviária. Tal competência revelada custou-lhe a indicação pela diretoria do clube para dirigir por onze vezes a equipe principal. Os números como treinador, mais uma vez engrandecem o trabalho e a dedicação do profissional.
Bazani e Ferroviária são sinônimos. Afinal, o talentoso meia-esquerda proporcionou momentos mágicos aos torcedores da agremiação grená. O craque estreou marcando um dos gols na vitória da AFE por 3 a 2 sobre o Paulista de Jundiaí. Assinou seu primeiro contrato com a Ferrinha em janeiro de 1955.
O meia sempre afirmava que a vitória da Ferroviária por 6 a 3 diante do Botafogo na finais do Paulista da Segunda Divisão de 1955, duelo em que marcou dois gols, e que culminou com o acesso do time a elite do futebol Paulista, foi sua apresentação de gala pela equipe. Em 1959, a Locomotiva de Araraquara surpreendeu ao terminar o Paulistão em 3º lugar, atrás apenas de Palmeiras e Santos.
Bazani colaborou muito para que o time interiorano se tornasse emergente, recebendo convites para excursionar à Europa e África. Entre abril e junho de 1960, o giro contabilizou 20 partidas, com 17 vitórias dois empates e apenas uma derrota. O meia foi destaque na vitória por 2 a 0 sobre o Porto, com o primeiro gol de Bazani, e o empate de 1 a 1 com o Atlético de Madrid.
Como diria Tetê Viviani: "Bazani, meu maior ídolo: Muita saudade". Nunca pude vê-lo jogar, mas todos os seus lances, atos e gols contados ou narrados por outros, estão na minha imaginação! Isso basta para que eternamente eu o reverencie.
Curiosidades da História de Bazani!
• Quem trouxe Bazani para a Ferroviária em 1954 foi o saudoso Picolin
• Rabi foi o técnico da Ferrinha nas finais da Taça de Prata 1982
• Bazani foi o comandante grená na inesquecível semifinal do Paulista de 1985
• Quando viajava para a primeira excursão ao exterior em 1960, em função do seu bom humor, fez o ponta Eusebio acreditar piamente que dentro do avião ele veria a linha do Equador
• Assim que o atacante Baiano chegou a Ferroviária a principal preocupação de Rabi foi com a condição da dentição do atleta, que rapidamente teve todos os problemas dentários resolvidos pelo doutor Olivério
• Ao todo Bazani participou diretamente de 50 anos da história da Ferroviária
• Em plena excursão pelas Américas, Bazani foi negociado com o Corinthians. No dia 29 de janeiro de 1963, o presidente da agremiação da capital, Wadi Helou, telefonou para o presidente afeano Pereira Lima a fim de comprar o meia.
• Bazani foi técnico da AFE pela primeira vez em 1972, mesmo antes de encerrar sua carreira como atleta. Precisou responder pela direção técnica do onze grená, após a saída inesperada do treinador Gaspar Berrance Filho.
• A despedida oficial de Bazani do futebol aconteceu no dia 20 de março de 1973 na Fonte Luminosa no amistoso frente à equipe do Guarani.