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Luto: Armandão
O massagista deixou a vida e entrou para a história do clube
Ano: 2008
Autor: Alessandro Bocchi
Fonte: Assessoria de Imprensa
Fotos: Leonardo Fermiano
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Luto: Armandão

Araraquara, SP - Infelizmente na vida, nada é duradouro e ninguém é eterno. A cidade de Araraquara e principalmente a Associação Ferroviária de Esportes, hoje Ferroviária S.A, como tem acontecido de maneira corriqueira nesses dois últimos anos, perde mais um de seus legendários representantes. Faleceu na noite de domingo (10 de agosto), aos 72 anos, vitimado por um infarto em sua casa, o célebre Armando Ribeiro da Silva, o popular Armandão, massagista da equipe desde 1973, quando deixou o futebol amador do Benfica para prestar seus serviços na agremiação. Ele foi enterrado no cemitério São Bento.

Armando esteve presente no cotidiano grená por ininterruptos 35 anos, tendo viajado o mundo em várias excursões pelo selecionado paulista, sempre ao lado do técnico Vail Mota, técnico da seleção. Mesmo aposentado, ele não deixou de trabalhar e nos últimos anos foi deslocado para o departamento de fisioterapia, onde fazia o encaminhamento dos atletas e costumeiramente era visto tramitando pelo Hospital São Paulo com os atletas afeanos. Dez dias antes de sofrer p infarto, Armandão sentiu-se mal quando estava no Terminal de Integração, acompanhado por outros colegas de trabalho. "Me lembro que ele teve um mal-estar e foi até o banheiro para se recompor. Quando voltou, eu e o Marquinho (também massagista), pedimos pra que ele conversasse no escritório e tirasse uma licença para se cuidar", conta o auxiliar-técnico Telão.

"Foi fazer os exames necessários conversei com ele na quinta e na sexta-feira passada, quando já havia voltado ao trabalho. Me disse que estava firme e forte", relembrou Telão.

Na última sexta-feira quando a reportagem do Imparcial entrevistava o ex-zagueiro Fernando Paolillo, Armandão foi chamado pelo entrevistado para falar sobre uma excursão com a seleção paulista. A primeira ponderação do funcionário foi a seguinte. "Nossa! Nós paramos uma guerra no Líbano pra fazer um jogo. Viajei muito com a seleção, pois o Vail Mota sempre me levava junto com a delegação. Nessa ocasião passamos por grande parte do continente asiático", rememorou o massagista.

Armandão figurou na Taça de Prata de 1981 e 1982, na Taça de Ouro de 1983, e no Paulista e 1985. Recentemente quando a reportagem fez um retrospecto dos grandes duelos do onze grená no Majestoso, Armandão, ao lado de Luiz Malheiros foi um dos entrevistados. Indagado sobre a última lembrança do estádio com sua capacidade tomada, ele não titubeou. "Depois da semifinal contra a Portuguesa (1985), a partida entre profissionais que mais deu gente aqui, foi contra o Palmeiras em 1993, no gol do Edmundo", frisou o massagista, esposo de Alaíde do Carmo Sotovani Ribeiro da Silva, filhos e netos.

Quem trouxe Armandão para a Ferroviária foi o dirigente Bruno Ópice em 1973. O diretor lembra que ele chegou para trabalhar na época, com o ex-médico afeano, Doutor Vamberto. Ele conta que na época Armandão não sabia aplicar injeções. "Acabou fazendo um curso na beneficência, até porque no período havia poucos lugares para o aprendizado e foi se tornando um funcionário símbolo do clube. Nunca deu trabalho, sempre foi disciplinado, sendo detentor de um bom humor e ótimo relacionamento com os atletas e os médicos com os quais trabalhou", contou o dirigente.

Outra pessoa com quem Armandão tinha um relacionamento bem próximo era o roupeiro Geraldo. "Grande profissional. Quando cheguei aqui em 1982 me recebeu super bem e fazia o mesmo com todos os funcionários e jogadores. Rodou o mundo com a seleção paulista e gostava muito do Vail Mota e do Doutor Roberto Felício", mencionou.

Uma pessoa em particular sentiu demasiadamente a perda do companheiro de trabalho. O porteiro Luis Malheiros acompanhou Armandão durante toda sua jornada no clube. "Meu grande amigo Armandão (pausa para reflexão). Uma pessoa que amou muito a Ferroviária e que passou, assim como eu, muitos anos no Clube da Estrada de Ferro. Nunca estava envolvido em picuinhas e era uma pessoa do bem", enfatizou o porteiro, que lembrou da sua chegada na Fonte. "Seu Bruno trouxe o Armandão do Benfica pra cá e depois quando ele estava no amador, o Vail Mota o levou ao time principal", complementou o porteiro. 

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