José Carlos Bauer, o volante que encantou o Maracanã com seu estilo clássico, de habilidade no domínio da bola, de cabeça erguida, de passes precisos, destaque da Copa de 1950 e único remanescente da Copa de 1954, na Suíça foi o técnico da Locomotiva em 1960.
Contratado no início de temporada daquele ano, Bauer preparou o time grená para a gloriosa excursão à Europa e África Portuguesa, onde descobriu o talento de Eusébio, no jogo em que a Ferroviária venceu a seleção de Moçambique. Quando Bauer encontrou o amigo Bela Gutmam, treinador do Benfica, indicou o pantera de Moçambique, que mais tarde foi o melhor jogador de Portugal na Copa de 1966, disputada na Inglaterra.
A passagem de Bauer na Ferroviária serviu para revelar um técnico competente e respeitado no futebol internacional. Depois de dirigir a Ferroviária, Bauer foi trabalhar no Atlas do México. Ainda gastou a mala por outros clubes, Leixões, Milionários, Francana, Botafogo, entre outros.
Apegado a esposa Elza, Bauer largou o futebol para se dedicar inteiramente à mulher que ficou enferma. O paulistano Bauer, que nasceu em 25 de novembro de 1925, faleceu no dia 4 de fevereiro de 2007 aos 81 anos, acometido do mal de Alzheimer.
Bauer e o São Paulo FC
Foi com a camisa do tricolor, o mais querido do mundo, que Bauer viveu seus melhores momentos. Atuando no meio-campo ao lado de Rui e Noronha, Bauer conquistou títulos para o São Paulo: em 1943,45,46,49 e 53. Atuou em 419 jogos pelo tricolaço. Depois passou por Botafogo RJ, Portuguesa SP e São Bento SP.
Vice-campeão mundial, Bauer volta para São Paulo dormindo no chão do trem
Naquela época não havia assessores e empresários e cada qual cuidava da sua vida. Na sua simplicidade, Bauer comprou a passagem de trem pra voltar a São Paulo e comemorar o título mundial em casa com os pais, depois da final contra o Uruguai, em 1950.
Um repórter da revista ‘O Cruzeiro' argumentou que todos os jogadores teriam um jornalista para acompanhá-lo durante a festa da conquista do mundial no Rio de Janeiro, e diante disso, persuadiu Bauer a vender seu bilhete de trem. Confuso pelas circunstâncias, Bauer atendeu ao pedido do repórter. Com a vitória do Uruguai por 2 a 1, tudo se acabou: festa, reportagens especiais, assédio da imprensa.
Bauer seguiu desolado para a estação da Central do Brasil e conseguiu embarcar com a ajuda do radialista Geraldo José de Almeida. Descoberto pelo guarda-trem, foi ameaçado a descer do comboio por falta de bilhete. Os amigos convenceram o funcionário da estrada e Bauer seguiu viagem.
Sem ter um lugar para sentar. Bauer dormiu no chão do trem até São Paulo, curtindo uma derrota histórica do futebol brasileiro.
Grandes Momentos de Bauer na Ferroviária:
No Estádio Metropolitano, em Madrid -Espanha, a Ferroviária empatou por 1 a 1 com o Atlético de Madrid, amistoso internacional, sob o comando de José Bauer, naquele 26 de maio de 1960.
Ferroviária: Rosan; Porunga, Antoninho, Rodrigues e Cardarelli; Dirceu, Palico e Bazani; Miranda, Baiano e Beni.
Atlético de Madrid: Pazzos; Rivila, Griffa, Alvarito e Romeiro; Amador, Pólo e Pieró; Mendonça, Vavá e Collar.
Gols: Baiano e Pieró
Exibição de gala da Ferroviária na vitória por 2 a 1 dos comandados de Bauer sobre o Corinthians, pelo Campeonato Paulista, naquele 30 de outubro de 1960.
Locomotiva: Rosan: Zé Maria, Antoninho, Rodrigues e Pimentel; Valter, Dudu e Bazani, Faustino, Baiano e Eusébio.
Corinthians: Cabeção; Egídio, Olavo, Roberto e Oreco; Odécio, Lanzoninho e Rafael; Luizinho, Almir e JOaquinzinho.
Gols: Pimentel, Baiano e Dudu (contra).
Por Tetê Viviani