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Bio
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O mundo do futebol é feito de sonhos, conquistas, derrotas, auges e decadências. O destino quem faz é a própria pessoa, o que nos permite citar exemplos distintos: Pelé e Garrincha, Tostão e Jorge Mendonça, Kaká e Maradona. De Araraquara para o mundo a trajetória de um ídolo "à lá Garrincha". Bio, o William Silvio Modesto, araraquarense, nascido em 8 de março de 1953, já mostrava talento nos jogos estudantis disputados no ginásio EEBA.

Destaque no futebol de salão, foi levado à Ferroviária nos fins dos anos 60. O time de cima da Ferroviária tricampeão do interior levava muitos torcedores à Fonte Luminosa. Eles chegavam mais cedo para assistir à preliminar onde Bio era a atração com suas arrancadas e dribles desconcertantes. Na máquina titular, Bio realizou cinco jogos. O Palmeiras enfrentava a Ferroviária e o técnico Osvaldo Brandão ordenou: "Eu quero esse garoto no Parque Antártica", e assim, precocemente, Bio foi para o Verdão, em 1971.

Descoberto por Osvaldo Brandão
O sonho do garoto estava à frente de seu tempo. Atuar ao lado de Dudu, Ademir da Guia, Leivinha, César, Leão e do companheiro de Ferroviária Nei, era demais e ainda ser campeão Brasileiro de 72, uma consagração para o jovem Bio. O Palmeiras foi disputar o troféu Ramon de Carranza, na Espanha, e mais uma vez brilhou a estrela de Bio. Ele acabou contrato pelo futebol belga. Atuou em Portugal, no Vitória de Setubal, pretendido pelo Flamengo foi desviado para a Espanha, sendo destaque no Terrassa FC. Em 1977, chamou a atenção do técnico Rinus Michels que o levou para o Barcelona.

Campeão europeu com Cruif
No Barça, Bio conquistou importantes títulos ao lado de Johan Cruyf e Neesken. O único araraquarense a conquistar os títulos da Copa do Rei e da Recopa, é ele mesmo: Bio. " Hoje quando digo que joguei no Barcelona com Cruyf, poucos acreditam", diz Bio. 
Sua carreira teve prosseguimento no Espanhol, depois voltou ao Terrassa , na Catalunha, e pendurou as chuteiras aos 37 anos, no Samboiano. Uma carreira brilhante sem dúvida nenhuma. O que deu errado foi fora de campo.

Os torcedores do Terrassa FC discutem no site do clube o destino de Bio:
"Em los 70, para um brasilenô ir a jugar a Europa era como ganar um Oscar". " Estuvodos anos em Camp Nou, 1978-1979), dondoi gano una Copa del Rey, y la Recopa de Basilea. No tuvo mucha continuiadd, peo participo em la memorable remontada ante el Anderlech (3-0) el noviembre de 78. Entro em el segundo tiempo, juego em la prórragat y convertió uno de los penalties: "Muchos jugadores tivieron miedo y no quisieron tirarlos. Bio dije que era professional y que no temblarían las piernas" e o estádio gritava: Som-hi Bio! Som-hi Bio!.

Momentos de glória
Perguntado diversas vezes sobre o que o levou a perder tudo, boemia, mulheres, más companhias? Bio responde com sinceridade: "Yo soy en culpable, nadie más que yo", sem dúvidas na Espanha ou no Brasil ele confessa sua culpa.

Bio não soube administrar fama e dinheiro. A visibilidade do atleta consagrado e a atração das noitadas fizeram ruir seu casamento com um bela espanhola. A ex-esposa e o filho ficaram no Velho Continente e Bio voltou ao Brasil com pouca coisa no bolso.

Esperança em dias melhores
Morando em Guarulhos, próximo ao Aeroporto, conseguiu abrigo, após ser morador de rua e ficar internando com problemas no pulmão, na escolinha de futebol do bairro Bom Clima, onde trabalha como voluntário, além de consertar máquinas de fliperama. "O recomeço está difícil e tenho saudades de meu filho Jhonatan Modesto Lomas, atleta no futebol espanhol, e de meus parentes em Araraquara", confidenciou Bio ao repórter-fotográfico Tetê Viviani, pelo celular emprestado do amigo Robson.

A queda
Internado devido a problemas pulmonares em hospital na capital paulista, Bio faleceu em 23 de fevereiro de 2008. A morte de William Silvio Modesto foi manchete em todos jornais e site espanhóis. No jogo Espanyol 2 x 1 Mallorca, em 16 de março de 2008, observado 1 minuto de silêncio em homenagem póstumo a Bio. O mesmo ocorreu no jogo Barcelona 5 x 1 Levante, além do minuto de silêncio a foto de Bio ficou estampada no telão do Camp Nou.

Por Tetê Viviani

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