Maritaca, camisa 8 da Ferroviária, é lembrado pelos araraquarenses pelo gol marcado (com ajuda do zagueiro Nelson do XV de Piracicaba) na final da Segunda Divisão de 1966, no Pacaembu, com o gramado encharcado, na quarta-feira, 21 de dezembro de 1966. O gol consagrou a volta da Ferroviária a Divisão Especial e abriu as portas para as campanhas memoráveis do tricampeonato do interior (67, 68 e 69).
Como foi o gol
XV de Piracicaba e Ferroviária empataram a primeira partida das finais, domingo, 18 de dezembro de 1966, por 1 a 1. O segundo jogo decisivo, na quarta, estava 0 a 0 até os 28 minutos do segundo tempo. Fogueira, contundido, foi deslocado para o ataque e Pio voltou para cobrir a lateral esquerda e foi ele quem lançou Maritaca pelo flanco esquerdo. Maritaca avançou em direção a área e cruzou forte, o zagueiro Nelson, pressionado pelo Fogueira, acabou desviando contra o gol quinzista. Placar final: Ferroviária 1 x 0 XV de Piracicaba.
Velocidade e drible curto eram as características de Maritaca. Fora de campo, o sorriso franco e a atenção com que atendia a garotada foram pilares que sustentaram seu reinado de ídolo da torcida grená. Sempre com a estátua de Nossa Senhora Aparecida no braço, Maritaca viajava com a santa na primeira poltrona e a levava para a concentração.
A chegada do ônibus na Fonte Luminosa era uma festa para a garotada. Ao abrir a porta, lá vinha o simpático meia-direita com a imagem da santa protetora puxando a fila de Machado, Bazani, Fogueira, Passarinho, entre outros. Maritaca era o símbolo de um time que tinha fé, identidade e religiosidade.
Locomotiva arrasa Corinthians no Pacaembu: 4 x 1
Maritaca teve uma excelente atuação frente ao Corinthians, no Pacaembu, naquele sábado, 1º de junho de 1968. Ferroviária goleou com Galdino Machado; Baiano, Fernando, Rossi e Fogueira; Bebeto, Maritaca e Bazani; Valdir, Teia e Pio. Técnico: Diede Lameiro.
O Corinthians perdeu comDiogo; Osvaldo Cunha, Almeida, Luís Carlos e Maciel; Tião, Tales e Rivelino; Buião, Paulo Borges e Eduardo. Técnico: Lula. Gols da Ferroviária: Maritaca, Almeida (contra) Bazani e Teia; para o timão descontou Paulo Borges.
Segundo pesquisa realizada pelo doutor Marcelo Cirino, Maritaca vestiu a camisa grená em 124 jogos, no período de 1966 a 1970, marcando 23 gols. Conquistou 61 vitórias, 32 empates e 31 derrotas.
Passagem pelo Corinthians
Ex-meia do Corinthians nos anos 70, Wilson de Almeida, o Maritaca, vive hoje em Casa Branca-SP, onde nasceu, e trabalha como empresário no ramo de confecção de malhas e na revelação de craques.
Nascido no dia 17 de outubro de 1948 e casado há mais de 30 anos com Maria Aparecida de Almeida, Maritaca tem três filhos: Edser Luter de Almeida, Wilsi de Almeida e Heberson de Almeida.
Identidades
Bem humorado, Maritaca fala que tem duas identidades por causa do apelido. "Tenho uma Wilson Maritaca de Almeida. Mandei fazê-la por causa do apelido", brinca o ex-jogador, que também jogou pelo Botafogo do Rio, Botafogo de Ribeirão Preto-SP e XV de Piracicaba, onde encerrou a carreira em 1976.
Pelo Corinthians, em 74, fez 10 jogos e marcou um gol, contra o Juventus, no dia 16 de outubro de 1974, segundo o Almanaque do Corinthians de Celso Unzelte. A partida foi no Parque São Jorge e o Moleque Travesso venceu por 2 a 1. A trajetória de Maritaca no Timão foi curta porque as contusões o atrapalharam muito.
Seus melhores momentos foram ao lado de seu conterrâneo Ernesto Luís Lance, o Lance, no ataque da Ferroviária. Foi campeão paulista da Segunda Divisão em 66 com a camisa grená. Naquele ano, ele marcou o único gol da Ferroviária contra o XV de Piracicaba, na vitória do time de Araraquara por 1 a 0.
Por Tetê Viviani